Qual a minha história com a Capins da Terra?

Qual a minha história com a Capins da Terra?

No meu primeiro texto aqui no Escurecendo as Ideias, eu falei para vocês que eu encontrei a Flávia e conheci a Capins da Terra no meio da Avenida Paulista, mas nunca me aprofundei nessa história. Pensando nisso e no que falei no último domingo, de que a ideia é que nessa nossa nova etapa, a gente possa tomar um chá juntas e sentar para contar histórias e compartilhar conhecimento de uma forma mais próxima, achei que nada mais justo do que contar um pouquinho mais sobre como eu cheguei aqui, escrevendo para vocês todo domingo. 

Quando eu me mudei pra capital de São Paulo por conta do trabalho, eu conhecia umas duas ou três pessoas, mas eu passava a maior parte do tempo sozinha, perdida em pensamentos. Não foi fácil. Eu sempre fui aquela pessoa da agenda sempre lotada, cheia de eventos ou coisas para fazer, para chegar cansada em casa e dormir para começar logo mais um dia cheio. Parece corrido (e era), mas a verdade é que tudo isso sempre foi para evitar ficar sozinha comigo mesma. O problema é que em uma cidade enorme na qual eu não conhecia quase ninguém, muita coisa eu precisei fazer sozinha, e muitas vezes precisei ficar sozinha comigo. Foi um looongo processo de autoconhecimento e principalmente de como aprender a amar a minha própria companhia. Haviam dias piores que outros, como os domingos, e apesar de ter sido muito difícil naquele ano, hoje eu consigo afirmar que pra mim, não tem melhor companhia do que a minha mesma. 

Curiosamente, eu conheci a Capins da Terra em um domingo ensolarado como foi hoje aqui em São Paulo. Confesso que no meu primeiro ano morando nessa selva de pedra, conhecida como a terra da garoa, eu ainda me assustava positivamente quando tinham dias tão bonitos e cheios de sol, ainda mais por ser uma pessoa extremamente solar. Então, obviamente eu não podia desperdiçar o dia, mesmo que precisasse sair de casa sozinha. 

Saí andando pela Avenida Paulista, automaticamente me sentindo melhor com os raios de sol na pele. Literalmente no meio do caminho, encontrei uma moça vendendo ervas e chás. Vocês sabem, esse é o meu ponto fraco. Parei e dei de cara com um sorriso que saiu iluminando tudo, a Flávia. Super simpática, me explicou o que estava vendendo, quais os chás e infusões disponíveis, quais banhos eram para qual objetivo. Saí com algumas embalagens e voltei andando para casa.

Acho que o universo queria que a gente se conhecesse. Naquele dia eu fiz dois banhos de ervas, um para limpar e outro para proteger, e depois fiz uma xícara de uma infusão que eu não me lembro qual era, mas com toda certeza lembro da sensação que me causou. A primeira coisa que eu comprei com o meu primeiro salário, lá nos meus 18 anos, foi uma caneca de vaquinha, para tomar os meus chás. Eu trouxe ela comigo para São Paulo, para tentar me sentir mais em casa, mas ainda não me sentia assim. Naquele dia, olhando a imensidão dessa cidade e tomando uma infusão da Capins na minha canequinha, eu me senti em casa. Senti que eu pertencia e deveria estar ali. Que ainda viria muito pela frente.

A caneca segue comigo até hoje, quase 10 anos depois de ter sido comprada. E a Capins da Terra também segue aqui, cada vez mais presente na minha vida, assim como a Flávia, essa canceriana que fez aniversário recentemente. Então, como já disse para ela, naquele dia a Flávia me ajudou e nem sabia. Assim como tenho certeza de que a Capins faz isso com muito mais gente. A gentileza de um sorriso e uma xícara de chá com afeto pode mudar muita coisa. Lembrem disso, e feliz novo ciclo, Flávia. <3 

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